Diário de Bordo

domingo, março 16, 2008


A saudade

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Dia desses eu fiquei lembrando dos meus tempos bons de infância, de como era aproveitar a vida ao lado da minha mãe e da minha irmã na nossa casa ou na casa de minha avó, recebendo todo o carinho, amor, proteção e segurança que tudo aquilo me proporcionava.

Lembrei dos passeios de manhã cedinho que fazia com meu avô até a praça da cidade, confesso que eu ia com ele mais pelo picolé que eu sempre ganhava na volta dessas animadas caminhadas do que pelo próprio lazer.

Lembrei dos meus aniversários simples, mas feitos pela minha mãe com todo amor do mundo, lembrei da mesinha que a gente sempre colocava o bolo e que no dia-a-dia servia para que eu e minha irmã brincássemos de comerciantes.

Falando nas brincadeiras, lembrei do tempo que eu brincava de esconde-esconde dentro de casa, de fantasma colocando talco Barla na cara e de restaurante o que me rendeu a cicatriz que eu tenho até hoje na mão esquerda.

Agora consigo lembrar das surras de colher de pau que minha mãe sempre me dava quando eu aprontava alguma, e da ripa de madeira cujo nome " A Especialista" já remetia à sua função de somente ser utilizada nos casos mais graves.

Eu era uma criança feliz, amava brincar, aprontar, depois eu acho que fiquei chata, e tudo ficou chato. A Kézia cresceu e eu me sentia só porque não tinha mais com quem brincar.

E foi assim que o tempo foi passando, no fundo eu rejeitava o fato de ter que me tornar alguém mais adulto e meu jeito de não aceitar isso foi sendo tola, ignorante, e afastando por um bom tempo as pessoas que realmente me amavam.

Hoje, antes de fazer qualquer coisa eu tento me perguntar se estou sendo tola ou imatura, foi bom deixar de cometer velhos erros e saber que amadurecer não é tão ruim assim, mas a saudade de eternizar meus bons momentos da infância, essa sim, tenho certeza que vai perdurar por toda minha vida.